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Marketing Estratégico 27 de Jul 2026

Atualizações que Impactarão a Estratégia de Marketing do Seu Negócio

Renata Genari

Escrito por Renata Genari

Atualizações que Impactarão a Estratégia de Marketing do Seu Negócio

Algumas mudanças no ambiente digital passam despercebidas até o momento em que afetam diretamente os resultados de um negócio. As atualizações recentes do Google e da Meta estão nessa categoria. Elas alteram a forma como sua empresa é descoberta, como gera leads e como se comunica com clientes, e vale entender cada uma com calma para ajustar a estratégia a tempo.

Percebo, no trabalho com empresas de diferentes segmentos, que existe uma distância entre a velocidade com que essas plataformas evoluem e a velocidade com que os negócios revisam suas estratégias. Quando uma mudança estrutural se consolida e a empresa só reage meses depois, ela perde a janela em que poderia ter saído na frente com pouco esforço de adaptação. Por isso, reuni aqui as atualizações que considero mais relevantes, com uma leitura sobre o que cada uma representa na prática e sobre como elas se conectam a uma estratégia de marketing mais ampla.

O Google passou a qualificar leads de forma conversacional

O Google anunciou o Business Agent for Leads, um agente que interage com potenciais clientes diretamente na busca. Ele atende interessados, responde dúvidas em tempo real e qualifica esses contatos antes de encaminhá-los ao time comercial. O agente trabalha fora do horário comercial, mantém as respostas alinhadas ao conteúdo do seu site e filtra prospects para que sua equipe foque em quem tem real intenção de compra.

O que me parece mais importante aqui é entender que a primeira conversa com seu potencial cliente pode acontecer sem ninguém do seu time presente. Durante muito tempo, o primeiro contato foi um momento humano, em que um vendedor ou atendente conseguia interpretar nuances, contornar objeções e construir vínculo. Agora, parte dessa interação inicial passa a ser conduzida por uma IA que responde com base no que está publicado sobre o seu negócio, ou seja, trazendo respostas alinhadas à marca em grande escala, sem o risco de alucinações ou respostas fora do roteiro.

Como o agente responde a partir do conteúdo do seu site, a clareza da sua comunicação digital define a qualidade desse atendimento. Se as informações sobre o que você oferece, para quem oferece e qual problema resolve estão confusas, desatualizadas ou genéricas, o agente vai refletir exatamente isso na conversa com seu cliente. A presença digital deixou de ser apenas vitrine e passou a ser a base de conhecimento que alimenta o seu atendimento automatizado.

Há também um ganho real nessa mudança, quando bem aproveitada. Um agente que qualifica contatos com critério entrega ao time comercial pessoas mais preparadas para conversar, o que reduz o desgaste de atender quem ainda não tem intenção clara e libera a equipe para investir energia onde há mais chance de avançar. A condição para colher esse benefício é ter clareza sobre quem é o seu cliente ideal e estruturar a comunicação de forma que o agente consiga identificá-lo. Mais uma vez, estratégia vem antes da ferramenta.

A busca está se tornando conversa: o AI Mode do Google

O Google vem expandindo o AI Mode, modo em que a busca entrega respostas conversacionais completas em vez de apenas uma lista de links. O usuário pergunta, recebe uma resposta estruturada e, muitas vezes, resolve sua dúvida sem visitar nenhum site.

Para dimensionar esse movimento, alguns dados ajudam. Buscas via IA cortam mais de 95% do tráfego para sites. O Brasil, aliás, já é o terceiro país que mais acessa plataformas de inteligência artificial generativa, atrás apenas de Estados Unidos e Índia. Não estamos falando de uma tendência distante, e sim de um comportamento que já faz parte da rotina de descoberta de produtos e serviços por aqui.

Há ainda uma mudança qualitativa na forma como as pessoas buscam. Enquanto pesquisas tradicionais têm média de quatro palavras, as consultas conversacionais chegam a 23 termos e duram mais de sete minutos. Dados citados no relatório State of the Internet, da Akamai mostram que chatbots geram cerca de 96% menos tráfego de referência do que buscadores tradicionais, e apenas 1% dos usuários clicam nas fontes indicadas.

As pessoas estão detalhando contexto, explicando situações, refinando o que precisam ao longo da conversa. Isso significa que a intenção de quem busca está mais clara e mais rica, e que a resposta entregue precisa dar conta dessa profundidade.

Esse novo comportamento traz implicações diretas para o marketing do seu negócio. A primeira é que aparecer na resposta gerada pela inteligência artificial se tornou tão importante quanto aparecer nos primeiros resultados de busca. E a forma de aparecer mudou. Esses sistemas tendem a citar conteúdo claro, bem estruturado e que responde a perguntas reais com profundidade, além de confirmar a autoridade e confiabilidade. Conteúdo raso, feito apenas para preencher calendário, dificilmente é selecionado. Quem produz material denso, com perspectiva própria e informação útil, constrói presença nesse novo ambiente.

A segunda implicação é positiva e costuma passar despercebida. O tráfego que chega por meio da IA, tende a ser mais qualificado, porque a pessoa já filtrou informação durante a conversa com a inteligência artificial antes de clicar. Ela chega ao seu site com a dúvida inicial já resolvida e com intenção mais definida. Em contrapartida, essa mesma pessoa se torna mais exigente quanto à qualidade e à precisão do que encontra. Ela deseja resolver. Seu conteúdo e sua oferta precisam estar à altura dessa expectativa.

Esse movimento reduz parte do tráfego que antes chegava por cliques em links, já que muitas dúvidas se resolvem na própria resposta da busca. Negócios que dependiam de grande volume de visitas para gerar resultado precisam reavaliar essa lógica. Não podemos mais focar apenas na quantidade de tráfego, mas principalmente, ser a fonte que a inteligência artificial reconhece como confiável para citar.

Além disso, o Google confirmou a integração de anúncios patrocinados dentro das respostas geradas pelo Modo IA (AI Mode). As campanhas que já são elegíveis para aparecer nos Google AI mode para Ads são:

 

  • Anúncios de Pesquisa (Search Ads);
  • Performance Max (PMax);
  • Google Shopping;

 

Segundo estudo da Conversion em parceria com a MLabs, o GEO (Generative Engine Optimization) é fruto da expansão do SEO. Com 59,5% da Geração Z e 56% dos Millennials já usando IA para pesquisar produtos, otimizar para aparecer nas A Nova Jornada de Compra: o consumo por geração no Brasil respostas do ChatGPT, Gemini e Claude irá se tornar tão importante quanto ranquear no Google.

“Estamos saindo da lógica de palavras-chave e entrando na lógica de intenção em conversas”, Roberto Rodrigues, diretor de GenAI e Martech da Oliver Latin America.

O Google tem vantagem: ele simplesmente conectou o inventário que já existia (PMax e AI Max) ao AI Mode, enquanto o chatGPT ainda está construindo o seu.

A Meta apresentou planos premium das suas plataformas

A Meta lançou o Meta One, estrutura de planos premium para suas plataformas. O movimento sinaliza uma reorganização no modelo de negócio das redes que concentram boa parte da atenção do público.

Quando plataformas migram para modelos premium, a lógica de alcance, distribuição e monetização se ajusta. Historicamente, cada vez que essas redes revisaram seus modelos, o alcance orgânico, aquele que não depende de investimento em anúncios, passou por mudanças que exigiram adaptação de quem construía presença ali. Não é possível prever com exatidão todos os desdobramentos do Meta One, mas a direção do movimento convida a uma reflexão importante.

Essa reflexão é sobre dependência. Vale olhar com honestidade para quanto da sua estratégia de marketing depende de alcance orgânico em canais que você não controla e quanto você tem construído em ativos próprios. Lista de contatos, comunidade, base de clientes com quem você se comunica diretamente e autoridade que acompanha a sua marca formam um patrimônio que permanece com você independentemente das mudanças de algoritmo ou de modelo de negócio das plataformas.

Construir presença nas redes continua fazendo sentido, mas apoiar todo o resultado do negócio exclusivamente nelas sempre foi um risco, e movimentos como esse reforçam a importância do equilíbrio.

O Meta One Advanced está em fase de expansão global pela Meta e os recursos exatos podem variar conforme a região e a qualificação da conta. As assinaturas de nível Premium e Advanced são destinadas também a contas comerciais.

Uma das principais vantagens é a visibilidade aprimorada, que dá maior alcance em resultados de busca orgânica e botões de "Seguir" em destaque nos seus Reels. Ou seja, teremos uma “fila preferencial” no orgânico para quem paga este plano.

Já é difícil construir presença e obter alcance orgânico dentro do Instagram, agora será ainda mais desafiador para quem não investe nos planos ou mídia paga. Por isso reforço — dentro da estratégia de marketing — é preciso trabalhar a diversificação de canais.

O WhatsApp liberou usernames

O WhatsApp começou a permitir a escolha de username. A mudança parece pequena, mas tem implicação relevante para os negócios.

O nome de usuário facilita ser encontrado e contatado sem a necessidade de compartilhar número de telefone. Para empresas, isso cria uma nova camada de identidade e de descoberta dentro do aplicativo de mensagens mais usado do Brasil, um canal que para muitos negócios já é o principal ponto de contato com o cliente. Passa a ser possível direcionar pessoas para o seu perfil com mais facilidade, integrar esse identificador à sua comunicação em outros canais e fortalecer a presença da marca também nesse espaço.

Recomendo acompanhar como esse recurso evolui, e pensar desde já, em como sua marca quer se apresentar ali (coerência importa).

Criar o identificador é um passo operacional apenas, não estratégico. O que realmente importa, do ponto de vista de marketing e comercial, é fazer com que as pessoas busquem a sua marca dentro do WhatsApp.

Quando alguém procura ativamente o seu perfil, é porque sua marca já despertou interesse em algum momento anterior da jornada. Um conteúdo que gerou identificação, uma indicação de quem confia em você, uma presença consistente que deixou uma impressão, uma autoridade demonstrada em outro canal. A busca direta pelo nome é o sinal visível de um trabalho que aconteceu na etapa anterior. Por isso, transformar essa busca em objetivo significa, na prática, investir em branding, autoridade e confiança ao longo de toda a jornada, e não apenas no momento do contato final.

Esse raciocínio reforça algo que oriento com frequência: os canais conversam entre si e os resultados de um costumam ser fruto do que foi construído em outro. O cliente que busca sua marca no WhatsApp provavelmente conheceu você por um conteúdo, por uma recomendação ou por uma presença que gerou confiança em outro espaço. Olhar para essa atualização apenas como a criação de um nome de usuário é perder a oportunidade maior.

Aproveito para fazer uma provocação: o que a sua marca tem feito, nos demais pontos de contato, para que as pessoas cheguem ao ponto de querer buscar você diretamente para conversar no WhatsApp?

O que conecta essas mudanças

Olhando o conjunto, percebo um padrão que me parece mais importante do que cada atualização isolada. A inteligência artificial está se posicionando entre o seu negócio e o seu cliente. O agente do Google conversa antes do seu time, a busca responde antes de a pessoa chegar ao seu site. As plataformas reorganizam a forma como você alcança quem acompanha sua marca. Em cada um desses pontos, surge um intermediário que interpreta, filtra e apresenta o seu negócio para quem está decidindo.

Isso amplia a pergunta estratégica que orienta o trabalho de marketing, porque por muito tempo, a pergunta foi como atrair tráfego e gerar visibilidade e leads. Ela continua válida, mas passa a conviver com outra igualmente importante: como garantir que a minha marca seja compreendida, citada e recomendada pelos sistemas que hoje intermediam a relação com o cliente. Responder a essa pergunta exige cuidar da clareza com que o negócio se apresenta em todos os seus pontos de contato, porque é desse material que os intermediários se alimentam.

A boa notícia é que a base para isso continua sendo a mesma que sempre defendi no meu trabalho. Clareza de posicionamento, sobre quem você atende, qual problema resolve e qual transformação entrega (sua proposta de valor). Conteúdo consistente e bem estruturado, que demonstra autoridade real sobre o seu tema. E comunicação que transmite com precisão o valor que você gera, sem ruído entre o que você faz e o que o mercado entende que você faz. As ferramentas mudam com frequência, e vão continuar mudando. O que tenho observado é que elas recompensam quem mantém base estratégica sólida e penalizam quem aposta apenas em táticas isoladas que seguem a novidade do momento.

Há também um ponto de atenção sobre o ritmo dessa adaptação. Não se trata de correr atrás de cada lançamento nem de implementar tudo ao mesmo tempo. Mas sim de entender a direção do movimento e tomar decisões coerentes com o momento e os objetivos do seu negócio. Uma empresa que depende fortemente de geração de leads pela busca tem mais urgência em entender o agente do Google e o AI Mode. Uma marca que construiu sua audiência sobre alcance orgânico nas redes precisa olhar com atenção para o movimento da Meta e para a construção de ativos próprios. O diagnóstico do seu cenário específico é o que define quais dessas frentes merecem prioridade. Tudo sob medida, nada de fórmulas prontas.

Encerro com a reflexão que tenho levado para as empresas com quem trabalho. Essas atualizações não são, isoladamente, motivo de alarme. São sinais de uma mudança estrutural na forma como negócios e clientes se encontram. Quem lê esses sinais com atenção e ajusta a estratégia com método tende a se posicionar bem nesse novo cenário.

Se faz sentido revisar a sua estratégia de marketing à luz dessas mudanças, será um prazer conversar e pensar junto com você, no caminho mais adequado para o seu negócio.

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